Vereadores de Assis Brasil participam de Audiência Pública para tratar da violência na fronteira

por Antonia Nascimento publicado 26/08/2019 11h45, última modificação 26/08/2019 11h51
Os Vereadores de Assis Brasil, reclamaram sobre a falta de um Delegado no município, bem como a carência de agentes de polícia civil. Também relembraram, a chacina que aconteceu na cidade, dentre outros temas abordados.

A audiência aconteceu no auditório do Centro Cultural da cidade de Brasiléia, na sexta-feira, dia 23, para tratar sobre o tema segurança pública, mais especificamente sobre violência na fronteira do Acre. Quem propôs a realização da mesma, foi o Vereador de Brasileia, Mário Jorge Fiesca.

O fato é que Brasileia faz fronteira com a Bolívia e o clima anda tenso por conta da marginalidade e tráfico de drogas, não diferente de Assis Brasil que faz fronteira com o Perú. Outro município convidado foi Xapurí, uma vez que também faz fronteira com a Bolívia e sofre os mesmos males.

A audiência contou com a presença de diversas autoridades, dentre elas representante do Exército Brasileiro, da Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, do judiciário, através do juiz, Dr. Gustavo Sirena, Senadora Mailza Gomes, dos prefeitos Fernanda Hassem (Brasiléia), Tião Flores (Epitaciolândia) e Francisco Ubiracy (Xapuri), de vereadores de Brasiléia e Assis Brasil (Wendell Gonçalves Marques, Gilda Almeida Damasceno, Antonia Pereira Cavalcante e Ivelina Marques de Araújo Souza) e da deputada Maria Antonia, que representou a Assembleia Legislativa do Acre, entre outros presentes.

Na ocasião a senadora Mailza Gomes se comprometeu em destinar de R$ 1 milhão de reais advindos de suas emendas para serem investidos em segurança pública no Acre.

Diversos temas foram tratados na audiência e o clima era de revolta, indignação e principalmente muitas críticas em relação às leis vigentes, uma vez que beneficiam mais os criminosos que os cidadãos de bem.

Os Vereadores que estavam representando Assis Brasil, reclamaram sobre a falta de um delegado no município, bem como a carência de agentes de polícia civil. Também relembraram, a chacina que aconteceu na cidade, dentre outros temas abordados.

Confira as falas de algumas autoridades: (em entrevistas ao site O Alto Acre)

Coronel Ulisses (Representante do governo do Acre e Secretaria de Segurança Pública): “A Secretaria de Segurança Pública está puxando para ela, algo não é de responsabilidade dela, é do governo federal através do Exercito e Polícia Federal, mas, não podemos cruzar nossos braços e quem está sendo afetado é a população. Nós então resolvemos montar o Grupo Especial de Fronteira – GEFRON, que vai ser um grupo especial para combater o crime que ocorre nas fronteiras, como roubo de gado, carros, tráfico de drogas, armas, (…) e isso vai influenciar a diminuir a violência nas cidades que são limítrofes das fronteiras, como também na Capital. Concordo em fechar as fronteiras, mas, não é apenas fechar, precisamos de estrutura, de equipamentos com tecnologia e alguns cuidados com direitos constitucionais. Nós estamos trabalhando com o programa ‘Acre pela Vida’ que tem como meta, diminuir os homicídios”, disse.

Em relação às facções, Ulisses disse: “Não quero dar ‘moral’ para esse tipo de grupo criminoso, pra esse tipo de pessoa e organização. Pra mim é tudo farinha do mesmo saco e nós vamos combater eles”, finalizou.

Fernanda Hassem (Prefeita de Brasiléia): “Nós estamos aqui no Sul do Estado com uma insatisfação e um terror muito grande, em um município onde passamos por toda as diversidades possível porque nós temos uma fronteira que está aberta e temos um efetivo pequeno e preciso ser justa e reconhecer que é um problema antigo, mas, com o falecimento de forma brutal que foi a do ‘Mundico’, isso despertou na sociedade inteira, que nós precisamos dar as mãos, (…) para que possa nós dar uma sensação de segurança de volta e esperamos daqui, que a bancada do Acre se una pra combater essa lei branda, onde bandido faz uma coisa errada, tirar a vida e um ser humano e depois da audiência de custódia, aparece três dias depois cometendo outros crimes e é o que está acontecendo aqui em Brasiléia. Então, estamos precisando da sensação de punição e essa pessoa tem pagar pelo que fez errado”, disse a gestora.

Gutavo Sirena (Juiz de Direito da Comarca de Brasiléia): “É um ato de extrema importância (…), estamos vendo que todos estão unidos, é uma pauta em comum de interessa da comunidade onde vemos muitas autoridades (…), que muitas autoridades estão preocupadas com essa realidade. Em relação as pontes, creio que precisamos de uma fiscalização mais enérgica sobre o assunto. Recentemente estive na cidade de Sena Madureira, onde vi que existem câmeras que elas identificam as placas dos veículos e sendo roubado, já acusa no computador possibilitando a abordagem quase que imediata da polícia. Então, creio que atitudes como essa temos estar desenvolvendo para ajudar na nossa fiscalização”, destacou o magistrado.

Major Ana Kássia (Comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar do Alto Acre): “Essa atividade de hoje, a Audiência de Segurança Pública, é o primeiro passo para que possamos alcançar a que nós precisamos realmente. É necessário que haja uma fiscalização inteligente dessas pontes, mas volto a repetir que nesse aspecto, a integração com as forças federais é fundamental porque existe uma competência da PF, Receita Federal e fiscalização não passa apenas pela linha criminal, e envolve muito mais do que isso. Por isso, volto a repetir, é necessário que essa discussão seja permanente pra que possamos alcançar as soluções necessárias”, pontou a oficial.

 

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